Como ajudar as crianças a lidar com emoções: guia prático para pais
Saber sentir, nomear e gerir emoções é uma das aprendizagens mais importantes que podes dar aos teus filhos. Mas não te preocupes, nós damos uma ajuda.
Crescer não é só aprender a ler, a escrever ou a fazer contas. É também conseguir perceber o que se passa ‘cá dentro’: aquele nó na barriga quando algo corre mal, o sorriso que aparece sem dar por isso quando se está com os amigos, o aperto no peito quando se sentem saudades de alguém que está longe, ou até dos pais, quando os deixam à porta da escola. As emoções fazem parte do dia a dia de todas as crianças e são tão importantes para o seu desenvolvimento como qualquer outra aprendizagem escolar.
Quando ajudamos uma criança a reconhecer e a falar sobre aquilo que sente - por exemplo, quando conseguimos dar a volta a uma birra - estamos a dar-lhe ferramentas para se conhecer melhor, para se relacionar bem com os outros e para lidar com desafios ao longo da vida. Não se trata de evitar as emoções difíceis, mas de lhes dar nome, espaço e sentido. E, no meio de rotinas, trabalhos de casa e horas de sono, os pais têm um papel essencial: criar um ambiente em que sentir é seguro e falar sobre emoções é normal; que a tristeza, a raiva e o medo também podem ter lugar, mas que é importante saber lidar com esses sentimentos e ultrapassá-los.
🤝Como ajudar as crianças a lidar com emoções no dia a dia
Começa por explicar que as emoções estão sempre presentes: na felicidade de comer um gelado, na birra porque o jogo acabou, na frustração por um teste que correu menos bem, no entusiasmo por um passeio diferente. Quando olhas para o comportamento do teu filho como um ‘mensageiro’ das emoções, quando tu próprio dás um passo atrás, é mais fácil perceber o que está por trás e responder com calma.
No quotidiano, pequenos gestos fazem a diferença: perguntar “como te sentes?” ou “como foi o dia?”, validar aquilo que o teu filho diz e mostrar que está tudo bem, sentir-te orgulhoso ou feliz, mostrar preocupação, tranquilizar, rir com ele, enfim, ser pai. Aos poucos, o teu filho vai ganhar vocabulário emocional e confiança para partilhar o que vive por dentro, vai falar das coisas boas, mas também das más, em vez de guardar ou explodir.
Porque é importante ensinar emoções desde cedo
Começar a falar de emoções logo nos primeiros anos ajuda a construir a chamada inteligência emocional: a capacidade de reconhecer, compreender e gerir aquilo que sentimos, bem como as emoções dos outros. Quando as crianças aprendem que não há emoções boas ou más, mas sim agradáveis e desagradáveis, que trazem sempre mensagens importantes, sentem-se mais seguras. Isso contribui para uma autoestima mais sólida e para relações mais saudáveis.
Não existem emoções boas ou más. Existem emoções que trazem mensagens, e aprender a ouvi‑las faz parte do crescimento!
Impacto no desenvolvimento emocional 🌱
Ao aprender a identificar e expressar emoções, a criança desenvolve:
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🧗Mais autonomia para lidar com frustrações e mudanças;
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🧘Maior capacidade de se acalmar depois de uma situação intensa;
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🆘Consciência de que pode pedir ajuda quando não sabe o que fazer com o que sente;
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👥Capacidade de entender também as emoções dos outros e lidar com isso.
🛝Relação com sucesso escolar e social
A inteligência emocional também se reflete na escola e nas relações com os pares. Há os amigos na turma e fora dela, as pessoas que não conhecem tão bem, os professores, os auxiliares, o recreio, os corredores, a cantina… tudo pessoas, locais e situações que levam a despertar diferentes emoções.
O contacto e as relações com os outros começam cedo, na creche, e vão evoluindo ao longo dos anos e da aprendizagem. E aprender a lidar com os sentimentos na infância ajuda também nas fases de transição, na mudança de escola ou de ciclo, na ‘perda’ de amigos quando há mudança de uns ou outros de casa ou de escola.
As crianças que conseguem reconhecer e lidar com as próprias emoções e as dos colegas:
- Tendem a evitar conflitos ou resolvê-los com mais respeito e menos agressividade;
- Conseguem concentrar-se melhor nas tarefas, porque aprendem estratégias para gerir ansiedade ou desmotivação;
- Sentem-se mais integradas no grupo, o que favorece o sucesso escolar e o bem-estar geral;
- Adaptam-se melhor a diferentes situações ou desafios.
O que são os Monstros das Emoções e como os usar em casa 👾🎨
Falar de emoções pode ser difícil, principalmente quando as crianças ainda não têm palavras para as descrever, mas também quando são um pouco mais crescidas. Para ajudar um pouco a que aprendam mais, a Zippy criou os Monstros das Emoções: personagens coloridas que representam diferentes emoções básicas e ajudam a transformá-las numa linguagem simples e visual. A iniciativa, a que a Escola Note! também se associa, foi desenvolvida em parceria com o conhecido pediatra Mário Cordeiro e conta ainda com várias ferramentas para ajudar a desbloquear a conversa, a desbloquear as próprias emoções, como um jogo, livros, roupas para colorir ou acessórios.
Dar uma “cara” e uma cor às emoções ajuda as crianças a sair do “não sei” e a comunicar melhor o que sentem.
Com os Monstros das Emoções, em vez de perguntares apenas “estás triste?”, podes convidar o teu filho a escolher qual o monstro que mais se parece com o que está a sentir naquele momento e falar sobre isso. Cada emoção ganha uma ‘cara’, uma cor, uma forma concreta e formas de se manifestar. Isso torna a conversa mais leve e divertida e ajuda a criança a sair do “não sei” para algo mais específico. Podes explorar os monstros, textos do Mário Cordeiro, e as ferramentas associadas na página da Zippy, e usá-los como ponto de partida para conversas em família.
6 Dicas práticas para trabalhar emoções com crianças
Trabalhar emoções com os teus filhos não tem de ser complicado ou constrangedor, nem exigir grandes materiais. Muitas vezes basta estares presente, observares e aproveitares momentos do dia a dia para conversar e brincar. A ideia não é fazer ‘aulas de emoções’, mas integrar pequenas estratégias na rotina da família. Estas 6 dicas podem ajudar-te a tornar o tema mais concreto, divertido e fácil de explorar com o teu filho.
1️⃣Nomeia as emoções. Em vez de dizer só “não faças isso”, tenta acrescentar depois a emoção: “Vejo que estás triste porque o jogo acabou” ou “Pareces zangado porque não deu como querias”. Isso ajuda a criança a compreender o que está a sentir.
2️⃣Valida o que o teu filho sente. Frases como “percebo que estejas frustrado” ou “faz sentido ficares nervoso antes do teste” mostram que a emoção é legítima, mesmo que o comportamento precise de limites. Validar não é concordar com tudo; é reconhecer que o sentimento existe e ajudar a lidar com isso.
3️⃣Cria rotinas de conversa sobre o dia. Podes reservar um momento do dia para perguntar: “Qual foi a parte mais feliz do teu dia?” e “Qual foi a parte mais difícil?”. Esta rotina, antes de dormir ou depois da escola, ajuda a criança a recordar situações e a nomear emoções, e ajuda-te a confortar, felicitar ou explicar alguma coisa.
4️⃣Usa brincadeiras e storytelling. Brincar é a linguagem preferida das crianças. Podes inventar histórias com os Monstros das Emoções, criar teatros com bonecos ou desenhar cenas em que cada personagem sente algo diferente. Podes até pedir, simplesmente, que apontem para o ‘monstro’ que são naquele momento ou foram noutros. O storytelling torna as emoções menos abstratas e mais fáceis de entender.
5️⃣Dá o exemplo. As crianças observam muito mais do que ouvimos. Quando dizes “hoje estou um bocadinho preocupado, vou respirar fundo para me acalmar”, ou então “o trabalho correu muito bem”, estás a mostrar que também sentes e que tens estratégias para te regular, bem como orgulho e satisfação - porque estar feliz também é importante realçar. O exemplo é uma das formas mais poderosas de ensinar inteligência emocional.
6️⃣Falem em frente ao espelho. Podes sugerir ao teu filho que faça caras de alegria, tristeza, medo ou surpresa em frente ao espelho ou para ti, ou fazes tu mímica para ele identificar a emoção. Depois, podem falar sobre situações em que ele já se sentiu assim. Este exercício liga expressão facial, corpo e emoção, e costuma ser divertido, além de ajudar a perceber que todo o corpo fala, não apenas a cara.
Jogos de emoções, atividades de recorte e desenho, roletas de sentimentos ou livros sobre emoções são ótimas formas de praticar. Podes usar os materiais inspirados pelos Monstros das Emoções da Zippy para transformar estas atividades em momentos especiais em família, ou então focar-te numa conversa a dois, sem distrações ou receios.
Criar hábitos emocionais saudáveis em casa 💙
Criar hábitos não precisa de ser complicado, o que conta é a repetição de pequenos gestos ao longo do tempo e ser consistente - ser um exemplo, ser compreensivo, não dizer que algo é bom num dia e mau no outro. Podes, por exemplo, combinar um ‘check-in emocional’ diário: cada pessoa diz como se sente usando uma cor, um monstro ou uma palavra simples. Aos poucos, isto passa a fazer parte da rotina, tal como lavar os dentes.
E semanalmente, podes fazer uma atividade, um jogo ou ter uma conversa um pouco mais demorada - mas sem maçar ou cansar, senão as emoções vêm logo à tona e também não queres isso. A escola também é importante, quer como veículo de aprendizagem das emoções, quer como fonte de várias situações boas ou más, pelo que é importante entrar nas conversas, mesmo que o teu filho diga que ‘foi bom’ ou ‘foi normal’. Insiste no tema, no que fez nas aulas ou fora delas, porque se as crianças podem valorizar demasiado uma coisa que aconteceu, também podem desvalorizar outra que merece ser falada.
⚠️Erros comuns a evitar
Algumas atitudes bem-intencionadas podem, sem querer, dificultar a aprendizagem emocional. Voltando à ‘valorização’ das coisas, do teu lado um dos erros mais comuns também é minimizar o que a criança sente: ‘isso não é nada’, ‘não chores por uma coisa tão pequena’. Para ela, naquele momento, não era pequeno. Ouvir e acolher é mais eficaz do que ignorar ou desvalorizar.
Outro erro frequente é forçar emoções positivas: “tens de estar contente”, ou “não estejas zangado”. Todas as emoções têm um papel, e aprender a estar com elas é essencial. Também é importante não ignorar sinais como mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medos persistentes ou queixas físicas recorrentes. Estes sinais, muitas vezes tentativas de não ir à escola, merecem atenção e, se necessário, apoio de um profissional. Pode tratar-se de uma situação de bullying, ou mesmo de saúde mental.
Conclusão: emoções fazem parte da aprendizagem 💛
Aprender sobre emoções é tão importante como aprender a matéria. Quando ajudas o teu filho a reconhecer, expressar e gerir aquilo que sente, estás a preparar o seu futuro: relações mais equilibradas, maior bem-estar emocional e mais confiança para enfrentar desafios, seja no percurso escolar seja na vida adulta e no emprego. Pais e professores têm aqui um papel complementar, ao criarem ambientes em que se pode falar sobre sentimentos sem medo nem vergonha.
Se quiseres trazer este tema ainda mais para o dia a dia, os Monstros das Emoções da Zippy podem ser grandes aliados para transformar conversas difíceis em momentos de descoberta e ligação. Descobre as ferramentas disponíveis na Zippy e usa-as como ponto de partida para continuar a aprender, em família, que sentir também se aprende. E encontra também na Escola Note! todas as outras ferramentas importantes para a escola.
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